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Clínica Veterinária de Pardilhó

Temos como missão cuidar dos nossos pacientes com dedicação, empenho e compaixão, de forma a lhes proporcionar uma vida longa e saudável.

Temos como missão cuidar dos nossos pacientes com dedicação, empenho e compaixão, de forma a lhes proporcionar uma vida longa e saudável.

Os bulldogs e outras raças braquicefálicas: o que é importante saber!

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O que é um cão braquicefálico?

É um cão com o focinho achatado. Como exemplo de raças de cães braquicefálicas temos o  Bulldog francês, o Bulldog Inglês, o  Pug, o Boxer, o Pequinês, entre outras. 

 

Quais os problemas de saúde mais frequentemente associados?

  • Problemas digestivos - As dificuldades respiratórias que estes animais apresentam fazem com que haja um aumento do esforço abdominal durante a inspiração que pode provocar alguns problemas digestivos, tais como vómito e regurgitação frequentes.
  • Problemas musculoesqueléticos e neurológicos - ao seleccionarmos para reprodução animais com a cauda em forma de saca rolha, podemos estar a seleccionar animais com anomalias vertebrais. Estas anomalias podem levar a compressão medular que, por sua vez, pode provocar alterações neurológicas como parésia/paralisia dos membros, incontinência urinária e/ou fecal, etc.
  • Problemas oftalmológicos - devido à conformação do crânio e ao achatamento das suas orbitas, os olhos destes animais estão mais expostos do que os de outras raças de cães, havendo um risco maior de lesões na córnea, assim como de proptose ocular em caso de trauma.
  • Problemas respiratórios - a conformação característica da sua cabeça e nariz faz com que estes cães desenvolvam, frequentemente, o chamado síndrome respiratório braquicefálico. 

 

Síndrome respiratório braquicefálico. O que é?

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No síndrome respiratório braquicefálico podem estar presentes 4 anomalias respiratórias

  • narinas estenóticas - narinas pequenas ou estreitas, que dificultam a passagem do ar pelo nariz durante a  inspiração/expiração.  
  • alongamento do palato mole - o palato mole, ie, a parte do céu da boca que se estende para trás, é demasiado longo e pode bloquear a entrada da traqueia.
  • traqueia hipoplásica - diâmetro da traqueia mais pequeno do que o normal quando comparado com um cão do mesmo tamanho.
  • eversão dos sáculos laríngeos - os sáculos laríngeos são pequenos “sacos” que se localizam à entrada da laringe. Estes sacos podem ficar evertidos, isto é, virados para fora da laringe, sempre que o cão se esforce por respirar através de  narinas estreitas e de um palato mole alongado que bloqueia a entrada da traqueia. Esta anomalia apesar de ser causada pelas outras, provoca uma obstrução respiratória adicional, agravando o quadro clínico do animal.

É frequente termos animais que apresentam mais do que uma destas alterações. 

Os cães com o síndrome braquicefálico apresentam dificuldades respiratórias que se manifestam por um respirar ruidoso (roncos), exacerbado  pelo exercício físico, calor ou stress.

 

Quais devem ser os principais cuidados a ter?

Evitar situações de stress, de exercício físico em excesso e de exposição ao calor, já que estas situações podem agravar as dificuldades respiratórias destes animais.

Ter um controlo de peso apertado, uma vez que estes sintomas são agravados pela obesidade.

Falar com o seu Médico Veterinário assistente de forma a avaliar o possível benefício de uma intervenção cirúrgica para corrigir algumas destas anomalias. A correcção cirúrgica das narinas estenóticas e do palato mole alongado é muitas vezes recomendada numa idade precoce de forma a evitar que se desenvolvam complicações subsequentes mais difíceis de resolver, como a eversão dos sáculos laríngeos.

 

O que é que vai mudar na identificação electrónica dos animais de companhia?

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No próximo dia 28 de Outubro vai entrar em vigor o DL nº 82/2019 que estabelece as novas regras de identificação dos animais de companhia em Portugal através do Sistema de Informação de Animais de Companhia (SIAC). O objectivo do SIAC é:

  • Registar o animal
  • Identificar o dono do animal
  • Identificar o médico veterinário responsável pelo registo 
  • Registar informações acerca das vacinas

 

Mas na prática, o que vai mudar? 

  1. identificação electrónica (microchip) passa a ser obrigatória para todos os cães, gatos e furões, sem exceção.
  2. As duas bases de dados existentes até agora (SIRA e SICAFE) vão-se fundir numa só (SIAC), que passa a ser mais acessível a todos.
  3. Cães, gatos e furões que já tenham microchip registado no SIRA ou no SICAFE, ficam automaticamente registados no SIAC.
  4. Cães, gatos e furões que tenham microchip mas que não estejam registados no SIRA ou no SICAFE têm 12 meses para solicitar o seu registo junto de um Médico Veterinário, da Junta de Freguesia ou Câmara Municipal da área de residência ou dos serviços da DGAV.
  5. Todos os cães, gatos e furões nascidos a partir de 28 de Outubro de 2019 têm de ter microchip até aos 4 meses de idade (120 dias). 
  6. Cães nascidos antes de 2008, que até agora não eram obrigados a terem microchip, têm 1 ano para que o colocarem. 
  7. Gatos e furões nascidos até 28 de outubro de 2019 têm 3 anos para colocar o microchip.
  8. Deixa de ser obrigatória a Licença da Junta de freguesia, com exceção para os cães perigosos e potencialmente perigosos. 
  9. O titular do animal deve comunicar ao SIAC, no prazo de 15 dias, sempre que haja alteração da sua morada de residência, alteração do local de alojamento do animal, desaparecimento e/ou recuperação do animal, morte do animal ou a sua cedência. Esta comunicação pode ser feita directamente, mediante um Nome de usuário e uma Password que lhe é atribuída no SIAC, ou por via do Médico Veterinário, da Junta de Freguesia ou Câmara Municipal da área de residência. 
  10. O Médico Veterinário é responsável pelo registo do animal na nova base de dados, bem como pelo registo da vacinação antirrábica e registo de esterilizações ou amputações, se for o caso, uma vez que estas últimas interferem com as características dos animais. 

Para informações mais detalhadas pode consultar aqui.

Caso tenha alguma dúvida acerca deste assunto, não hesite em contactar!

A lagarta-do-pinheiro ou processionária

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A lagarta-do-pinheiro, também conhecida por processionária, é um insecto que nesta altura do ano provoca graves problemas de saúde aos nossos animais de companhia. 

 

O seu ciclo de vida inclui duas fases distintas. Uma fase aérea, que ocorre na copa do pinheiro, e que é a fase de postura e desenvolvimento larvar. Uma fase subterrânea, que ocorre no solo, e que é a fase de desenvolvimento do adulto (borboleta). A passagem de uma fase à outra acontece entre os meses de Fevereiro e Março com a migração colectiva das lagartas, que abandonam o pinheiro em procissão para se enterrarem no solo. No entanto, quando o Inverno é seco e de céu descoberto, o ciclo de desenvolvimento destes insectos  é acelerado, o que faz com que já em Dezembro possam existir processionárias no solo. Como forma de defesa contra os predadores naturais, estas lagartas possuem pêlos urticantes, que quando em contacto com a pele ou com as mucosas, são capazes de desencadear uma “intensa” reacção alérgica. O comportamento curioso do cão, faz com que ele seja muito susceptível a uma intoxicação por contacto com processionárias. A parte do corpo mais frequentemente afectada é a cabeça, em especial os lábios, a mucosa oral e a língua. 

 

Os sinais clínicos mais frequentes são:
• Comichão intensa no focinho
• Focinho inchado
• Língua espessada e por vezes com cor azulada
• Babar intenso
• Vómito
• Dor
Menos frequentemente, os animais afectados podem apresentar tosse e dificuldade respiratória, e em casos ainda mais raros, podem desenvolver uma reacção anafilática, que pode mesmo levar à morte.
Os sintomas desta intoxicação têm um carácter evolutivo. Isto significa que com o passar das horas o quadro clínico do animal evolui, sendo muito importante que ele seja , o mais rapidamente possível, diagnosticado e tratado.

 

Uma vez que que não existe qualquer antídoto, o tratamento é sempre sintomático. Deve-se lavar abundantemente sem friccionar a zona afectada, de forma a eliminar os pelos da processionária que não estejam encravados na pele e/ou mucosas. De seguida são administrados medicamentos para travar a reacção alérgica, analgésicos e antibióticos.

 

O prognóstico é reservado, apesar da maioria dos casos apresentar uma evolução favorável. Nos casos em que o contacto é mais intenso, diferentes porções da língua e/ou dos lábios podem necrosar e cair. Isto pode afectar de forma considerável a qualidade de vida futura destes cães.

 

Como forma de prevenção, devemos evitar o acesso do cão a pinhais que possam estar afectados, durante os períodos de maior risco (Primavera), e utilizar medidas de controlo no caso da existência desta infestação em casa. Este controlo pode ser feito na fase em que os ninhos estão na copa das árvores ou na fase de migração das lagartas. 
Durante o Outono, altura em que nas copas dos pinheiros existem os ninhos provisórios, os tratamentos químicos são bastante eficazes. 
No Inverno, com a formação dos ninhos de Inverno, os tratamentos químicos já não são tão eficazes e o único meio de combate é a sua destruição.
Na Primavera, com a migração para o solo, a destruição mecânica das lagartas é o único meio de controlo possível. Podem-se colocar à volta do tronco da árvore umas cintas de papel, ou plástico, embebido em cola, de forma a que as lagartas ao descerem fiquem aí coladas.

 

No caso de suspeitar que o seu cão possa ter estado em contacto com processionárias deve dirigir-se de imediato ao seu Médico Veterinário. 

 

 

 

Nova Lei que regulamenta a compra e venda de Animais de Companhia

 

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Saiu ontem em Diário da República e entra hoje em vigor, a Lei nº 95/2017, que regula a compra e venda de animais de companhia em estabelecimentos comerciais e através da Internet. Transcrevemos aqui o Artigo 53º, o Artigo 54º e o Artigo 68º que determinam, respectivamente, os requisitos do anúncio de venda de animal de companhia, os requisitos de validade de transmissão de propriedade de animal de companhia e o montante das contraordenações.

 

Artigo 53.º


Requisitos de validade do anúncio de venda de animal de companhia
1 - Qualquer anúncio de transmissão, a título oneroso, de animais de companhia deve conter as seguintes informações:
a) A idade dos animais;
b) Tratando-se de cão ou gato, a indicação se é animal de raça pura ou indeterminada, sendo que, tratando-se de animal de raça pura, deve obrigatoriamente ser referido o número de registo no livro de origens português;
c) Número de identificação electrónica da cria e da fêmea reprodutora;
d) Número de inscrição de criador nos termos do artigo 3.º do presente diploma;
e) Número de animais da ninhada.
2 - Qualquer publicação de uma oferta de transmissão de animal a título gratuito deve mencionar explicitamente a sua gratuitidade.
3 - Os cães e gatos só podem ser considerados de raça pura se estiverem inscritos no livro de origens português, caso contrário são identificados como cão ou gato de raça indeterminada.
4 - No caso de anúncios de animais de raça indeterminada é proibida qualquer referência a raças no texto do anúncio.

 

Artigo 54.º


Requisitos de validade da transmissão de propriedade de animal de companhia
Qualquer transmissão de propriedade, gratuita ou onerosa, de animal de companhia deve ser acompanhada, no momento da transmissão, dos seguintes documentos entregues ao adquirente:
a) Declaração de cedência ou contrato de compra e venda do animal e respectiva factura, ou documento comprovativo da doação;
b) Comprovativo de identificação electrónica do animal, desde que se trate de cão ou gato;
c) Declaração médico-veterinária, com prazo de pelo menos 15 dias, que ateste que o animal se encontra de boa saúde e apto a ser vendido;
d) Informação de vacinas e historial clínico do animal.

 

Artigo 68.º


Contraordenações
1 - Constituem contraordenações puníveis pelo director-geral de Alimentação e Veterinária com coima cujo montante mínimo é de (euro) 200 e o máximo de (euro) 3740:

(...)

e) A venda ambulante de animais de companhia, bem como o anúncio ou transmissão de propriedade de animais de companhia com inobservância dos requisitos referidos nos artigos 53.º, 53.º-A, 54.º e 56.º a 58.º;

(...)

 


Vai competir à Direcção Geral de Alimentação e Veterinária, bem como aos órgãos da polícia criminal, a instrução dos processos de contraordenação.

 

Para informações mais detalhadas consultar:

http://data.dre.pt/eli/lei/95/2017/08/23/p/dre/pt/html

Chegaram as férias! O que fazer com o meu animal de companhia?

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Planear férias quando se tem um animal de estimação pode parecer uma dor de cabeça. Aqui ficam algumas sugestões para o ajudar nesta tarefa.

 

Se decidir não levar o seu animal, pode optar por deixá-lo em casa ou num Hotel especializado. No caso de o deixar em casa, é importante garantir que alguém de confiança, seja um familiar, um amigo ou mesmo um Pet sitter (individuo que presta serviço ao domicilio), fique responsável por cuidar do seu animal durante a sua ausência. Caso decida deixá-lo num Hotel, deve visitar previamente as instalações e informar-se sobre quais as vacinas exigidas. Em ambos os casos, deve certificar-se que deixa o seu animal devidamente desparasitado, interna e externamente, e que deixa uma quantidade suficiente do seu alimento habitual, para evitar transtornos gastrointestinais provocados por uma alteração alimentar brusca. Deve também deixar o historial clínico do animal, assim como o contacto do Médico Veterinário assistente, para o caso de surgir um problema de saúde inesperado.

 

Pode sempre escolher levá-lo de férias consigo. O que há uns anos era um processo complicado está hoje mais simplificado, quer pela melhoria nas condições de transporte, quer pelas várias opções de alojamento.

 

Caso decida viajar de avião, saiba que a maior parte das companhias aéreas permitem o transporte de animais na cabine ou no porão, desde que sejam respeitadas determinadas condições. É importante que contacte com antecedência a companhia de aviação para saber quais são estas condições e para efectuar a reserva, uma vez que a sua confirmação depende da disponibilidade de espaço, bem como do tipo de avião planeado para a viagem.

 

No caso de viajar de carro, saiba que apesar de a lei não especificar as condições exactas de transporte de animais de companhia, este deve ser feito de forma a garantir que a condução e a segurança não fiquem comprometidas. A multa por incumprimento vai dos 60 aos 600€, consoante os casos.

Há três formas de garantir um transporte seguro de animais:

  • Caixa transportadora – Adequada para todo o tipo de animais de pequeno porte. Esta é a forma mais estável de transportar um animal, porque evita que estes se consigam deslocar no carro, ou ter algum comportamento imprevisível que possa distrair o condutor.
  • Cinto de segurança - O cinto de segurança para cães é uma espécie de trela que faz a ligação entre o peitoral ou coleira e o local onde se insere o cinto de segurança. Em caso de acidente o peitoral é mais seguro porque evita o estrangulamento.
  • Grelha ou rede divisória - Muitos cães, especialmente os de grande porte, são transportados na mala do carro. Nestes casos deve existir uma rede ou uma grelha, que se coloca entre o porta-bagagens e a parte dos bancos traseiros para evitar que o cão possa ser projectado para a frente em caso de acidente.    

     

Saiba que viajar de comboio pode ser uma outra opção. A CP permite o transporte de animais que não ofereçam perigosidade, desde que devidamente encerrados em recipiente apropriado que possa ser transportado como volume de mão. No caso dos cães é também permitido o seu transporte não acondicionado, mediante a aquisição de título de transporte próprio, correspondente ao comboio que utilizar. Nestes casos o animal terá de ir devidamente açaimado, com trela curta, acompanhado do respectivo boletim de vacinas actualizado e da competente licença. Para mais informações podem consultar directamente o site da CP.

 

Hoje em dia há cada vez mais Hotéis e Casas de Turismo que aceitam animais, alguns deles até de forma gratuita. Com uma simples pesquisa online encontra rapidamente as mais variadas opções de alojamento “ Pet friendly”.

 

No caso de estar a viajar para fora do país deve ter sempre em atenção as exigências sanitárias do país de destino. Alguns dos países da União Europeia como a Espanha, a França, a Alemanha, entre outros, não permitem a entrada de animais com idade inferior a 12 semanas, ou de animais com idade entre as 12 e as 16 semanas cuja vacinação antirrábica não possa ser considerada válida. Isto na prática significa que, uma vez que a vacina da raiva só pode ser administrada aos 3 meses de idade, e que a mesma só se considera válida 21 dias depois, nenhum animal com menos de 15 semanas de vida pode viajar para estes países. Deve assegurar também que o seu animal tem uma identificação por microchip, uma vacinação antirrábica válida e um passaporte de animal de companhia da União Europeia em dia, para quando regressar a Portugal. Para informações mais detalhadas acerca das condições sanitárias exigidas pelos diferentes países consulte aqui: http://www.dgv.min-agricultura.pt/portal/page/portal/DGV/genericos?generico=228563&cboui=228563 .

 

Seja qual for a sua opção, o mais importante é que tudo seja devidamente planeado, de forma que possa desfrutar das suas férias ao mesmo tempo que garante o bem-estar dos seus animais!

Dirofilariose no cão e no gato. O que preciso de saber!

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A Dirofilariose é uma doença provocada por um parasita, a Dirofilaria immitis, transmitida pela picada de determinado tipo de mosquitos. Esta doença é conhecida também como “doença do verme do coração” porque os parasitas adultos se alojam no coração e nas artérias pulmonares do animal infectado.

A Dirofilariose afecta principalmente o cão mas também pode afectar o gato. É comum em zonas quentes e temperadas sendo, hoje em dia, uma das doenças parasitárias mais frequentes na Península Ibérica. Em Portugal algumas zonas são mais afectadas que outras, sendo que o Distrito de Aveiro está considerado como uma Zona de Alto Risco, com 10 a 20% de prevalência de Dirofilaria immitis.

 

Ciclo de Vida

Os animais são infectados quando um mosquito portador das formas larvares infectantes (L3) os pica para se alimentar. Uma vez nos tecidos subcutâneos, estas larvas transformam-se (L3→L4) e migram até chegarem aos vasos sanguíneos. Aqui viajam pelo sangue até ao coração, onde passam a adultos. Estes podem chegar a medir mais de 30cm de comprimento. No coração, os parasitas adultos reproduzem-se, dando origem a novas formas larvares (microfilárias L1), que entram novamente na circulação sanguínea. É na circulação periférica que as microfilarias podem ser ingeridas por um novo mosquito, onde sofrem duas transformações (L1→L2→L3) até se tornarem infectantes. Este pode então infectar outro animal na sua próxima refeição, e o ciclo volta a repetir-se.

 

Sintomas

Na fase inicial da doença (primeiros 6-7 meses) não existem sinais clínicos, já que a migração das larvas não provoca alterações. Os sintomas vão surgindo com o tempo e, dependendo do grau de infestação, podem variar desde:

  • Falta de apetite
  • Intolerância ao exercício
  • Perda de peso
  • Tosse
  • Dificuldade respiratória
  • Ascite


Diagnóstico

Esta doença pode ser diagnosticada por uma simples análise ao sangue realizada na clínica, onde se pesquisa a presença de antigénios por técnicas de ELISA.

 

Tratamento

A Dirofilariose tem tratamento, no entanto, este tem riscos elevados porque envolve a morte de parasitas que se localizam dentro de um sistema «fechado» como é o Sistema Circulatório. Esta é a razão pela qual este tratamento é prolongado, e implica um período de restrição ao exercício do animal e um acompanhamento frequente por parte do Médico-Veterinário, de forma a garantir o seu sucesso e a minimizar os possíveis efeitos secundários a ele associados.

 

Prevenção

Ao contrário do tratamento, a prevenção da Dirofilariose é simples, segura e eficaz. Dadas as condições climatéricas no nosso País é recomendável que a sua prevenção seja anual. Para este efeito podem-se usar pipetas ou comprimidos mensais ou uma injecção subcutânea anual. É muito importante ter em atenção que estes medicamentos não devem ser administrados sem que se tenha a certeza de que o animal não seja já portador da doença. A administração destes medicamentos a animais com Dirofilariose pode ser fatal.

 

A Dirofilariose transmite-se aos Humanos?

As pessoas podem, ainda que raramente, desenvolver formas cutâneas ou respiratórias de Dirofilariose, caso sejam picadas por mosquitos infectados. Nestes casos, o parasita nunca atinge a forma adulta, sendo esta a razão pela qual a Dirofilariose não constitui um verdadeiro perigo para o Homem.

 

Aqui fica um video que ilustra a forma de transmissão bem como o ciclo de vida deste parasita:

 

O Natal está a chegar! Mantenha os seus animais em segurança

 

 

 

 

A época Natalícia está a chegar e são muitas as coisas que temos que preparar: os enfeites de natal, as prendas, os doces, etc. No entanto, e porque esta quadra pode também trazer alguns perigos para os nossos animais, aqui ficam alguns conselhos que deve ter em atenção, para que o seu animal passe esta quadra festiva em segurança:

 

#1 Enfeites de Natal - as decorações de Natal, como as bolas e as fitas, devem estar sempre fora do alcance dos animais. Apesar de raramente serem tóxicas, a sua ingestão pode provocar graves problemas no trato gastrointestinal do seu animal, como obstruções intestinais. O mesmo cuidado se deve aplicar às luzes de Natal. Caso mordam os fios, os animais podem apanhar choques eléctricos, e daí a importância de manter os fios eléctricos longe do seu alcance, cobrindo-os, por exemplo, com fita adesiva e colando-os ao chão. 

 

#2 Restos de comida - os restos de comida não devem ser dados aos nossos animais. Comida temperada, picante e com gordura pode provocar gastrite ou mesmo pancreatite, ao cão e ao gato. Restos com ossos ou espinhas também não devem ser dados, devido ao elevado risco de ficarem presos na garganta ou nos intestinos do animal.

 

#3 Chocolate - o chocolate pode ser tóxico, ou mesmo fatal, para cães e gatos, devido à teobromina, um estimulante natural da família da teína e da cafeína. Sintomas como vómitos, diarreia, fraqueza, dificuldades no equilíbrio, hiperexcitabilidade, espasmos musculares, convulsões, coma e arritmias cardíacas, podem ocorrer em casos de intoxicação por chocolate.  A toxicidade do chocolate varia conforme o tipo (o chocolate preto tem uma concentração maior de teobromina que o chocolate de leite ou o chocolate branco) e a quantidade ingerida, sendo que para um cão de 5 Kg 250gr de chocolate de leite ou 35gr de chocolate preto podem ser fatais!

 

#4 Alcool - O alcool é extremanente perigoso para os animais, mesmo em doses muito pequenas. Os sintomas por eles manifestados são semelhantes aos observados nas pessoas: tonturas, descoordenação motora, fraqueza muscular e coma, podendo levar à morte por paragem respiratória. 

 

#5 Xilitol (adoçante) - as guloseimas com adoçantes podem ser altamente tóxicas para os nossos animais de companhia. Mesmo a ingestão de uma pequena quantidade pode provocar letargia, vómitos, descoordenação motora, convulsões e, em casos mais graves, insuficiência hepática, que pode levar à morte do animal. Estima-se que o xilitol seja 100x mais tóxico que o chocolate, sendo que apenas 5gr de xilitol é suficiente para provocar uma insuficiencia hépatica num cão de 10Kg. 

 

#6 Plantas - algumas plantas como o azevinho, o visco ou a Flor-do Natal, características desta época natalícia, são tóxicas para os cães e os gatos.Náuseas , vómitos e diarreias são sintomas que os animais podem manifestar caso as ingiram. O visco pode provocar também alterações cardíacas. Caso decida ter alguma destas plantas em casa, mantenha-as longe do alcance do seu animal

 

A Clínica Veterinária de Pardilhó deseja a todos umas Boas Festas!

Será que o meu cão sofre de Demência?

 

Demência ou Síndrome de Disfunção Cognitiva (SDC) nos cães, é uma doença associada ao envelhecimento, que se caracteriza por uma degeneração do Sistema Nervoso Central (SNC), semelhante à que é observada em pessoas com a Doença de Alzheimer. A maior parte dos cães manifestam alterações comportamentais à medida que envelhecem, sinal de declínio cognitivo. Estudos referem que 83% dos cães com peso inferior a 15kg e 100% dos cães com peso superior a 15 kg, com mais de 13 anos, sofre de disfunção cognitiva. No entanto, a grande maioria destes casos não chega a ser diagnosticado. Se por um lado os donos nem sempre referem ao Medico Veterinário as alterações de comportamento apresentadas pelo seu cão idoso, uma vez que as atribuem ao normal envelhecimento do animal, por outro não existe um teste específico para o seu diagnóstico. Este é sempre feito por exclusão de outras patologias com sintomas semelhantes, como doenças metabólicas, neoplasias do SNC ou doenças cardiovasculares.
Há, no entanto, um conjunto de sintomas que são característicos do SDC. São eles:

#1 Desorientação  – o cão pode parecer perdido em ambientes familiares, caminhar compulsivamente em círculos, ficar atrás de móveis ou olhar fixamente para as paredes ou para o vazio.

#2 Alteração na interacção com os donos  – o animal pode parecer aos donos mais anti-social, isolando-se, não procurando carinho ou mimos ou, pelo contrário, parecer mais dependente, tendo dificuldade em estar sozinho.

#3 Alteração nos padrões de sono - o cão pode passar a noite acordado, a vaguear pela casa, e dormir durante o dia.

 

#4 Perda de hábitos de higiene e rotinas  –  o cão pode «esquecer» algumas rotinas, começando a defecar e a urinar dentro de casa, e não no local habitual.

 

#5 Diminuição dos níveis de actividade física.

#6 Ansiedade

 

É muito importante que os donos aprendam a identificar os sintomas associados a esta doença, porque apesar de não ter cura, quando é diagnosticada numa fase precoce pode-se atrasar a sua evolução, melhorando a qualidade de vida do animal. O tratamento consiste na administração de fármacos (selegilina), suplementos vitamínicos (Vitamina E e C, Selénio, L-carnitina, Omega-3, etc) e dietas especialmente formuladas para animais geriátricos, que ajudam a melhorar a actividade cerebral, bem como na implementação de um programa de enriquecimento ambiental que estimule a função cerebral do animal, de forma a retardar o seu declínio.

 

 

 

Toxoplasmose

 

A Toxoplasmose é uma doença parasitária provocada pelo Toxoplasma gondii, um protozoário intracelular (que vive dentro das células). Uma pessoa saudável infectada pela primeira vez por este parasita pode apresentar sintomas semelhantes aos de uma gripe, mas a maior parte das vezes não manifesta qualquer sintoma. O mesmo não acontece com grávidas ou pessoas com o sistema imunitário comprometido. Uma infecção por T. gondii durante a gravidez pode provocar malformações congénitas graves no feto ou mesmo levar ao aborto. No caso de pessoas imunocomprometidas (infectadas com o HIV, transplantadas ou sujeitas a tratamentos com medicamentos imunosupressores) pode provocar encefalites.

 

Esta doença pode ser transmitida por:

  1. Ingestão de oocistos esporulados (forma infectante) presentes na água ou no solo;
  2. Ingestão de carne mal cozinhada ou crua, de animais portadores da doença (forma mais frequente de infecção em humanos);
  3. Via transplacentária, quando a mão é infectada pela 1ª vez durante a gestação.


O gato é o único hospedeiro definitivo do T. gondii, o que significa que é apenas no gato que o parasita completa o seu ciclo de vida. Quando um gato ingere pela 1ª vez carne crua (ou mal cozinhada) contaminada, vai eliminar nas fezes oocistos não esporulados durante um período máximo de 15 dias. Findo este período, o gato não voltará mais a eliminar oocistos de T. gondii mesmo que se volte a contaminar, uma vez que o seu sistema imunitário se torna resistente. Para que os oocistos esporulem e possam infectar outros animais, necessitam de estar 1 a 5 dias no meio ambiente em contacto com oxigénio. Estes oocistos esporulados são muito resistentes e podem persistir no ambiente durante vários meses. Quando o Homem ou outro animal (ovino, caprino, bovino, etc) os ingerem, e porque são hospedeiros intermediários, os parasitas eclodem e atravessam a mucosa intestinal, podendo enquistar em diferentes tecidos como músculos, órgãos viscerais e sistema nervoso central. São estes tecidos que, quando ingeridos crus ou mal cozinhados, podem infectar o gato ou o Homem.

 

A infecção pode ser evitada nos gatos, não os alimentando com carne crua ou mal cozinhada, e evitando que eles tenham comportamentos predatórios, mantendo-os dentro de casa. No caso de grávidas e de pessoas imunodeficientes, há algumas medidas preventivas que devem ser tomadas, tais como:

  1. Evitar ingerir frutas e legumes mal lavados e não desinfectados.
  2. Evitar consumir carne crua ou mal cozinhada.
  3. Evitar manipular carne crua.
  4. Proceder à congelação e cozedura adequada da carne de forma a destruir os quistos.
  5. Não fazer jardinagem sem luvas.
  6. Limpar a caixa de areia do gato diariamente para evitar a esporulação dos oocistos, o que deve ser feito de preferência por outra pessoa.

 

Está demonstrado que os gatos não constituem um factor de risco para grávidas e pessoas imunodeficientes. É muito difícil que uma pessoa se infecte por acariciar um gato. Mesmo que o gato esteja no período de eliminação dos oocistos (algo que acontece, somente, ao longo de 15 dias durante toda a vida do animal), eles não estarão na sua forma esporulada (infectante), e porque os gatos possuem hábitos de higiene muito desenvolvidos, limpando-se uma boa parte do dia, não é fácil que o seu pêlo fique contaminado com as próprias fezes durante o período de tempo necessário para que os oocistos esporulem. É importante referir que os profissionais de saúde veterinária, quando comparados com a população em geral, não apresentam uma maior incidência de Toxoplasmose, o que vem de encontro à ideia de que não é o contacto directo com gatos que faz aumentar o risco de infecção.

 

É necessário desmistificar a culpa do gato na transmissão desta doença e prestar mais atenção às outras formas de transmissão, muito mais comuns e importantes.

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